Filhos toxicodependentes

Você não perceberá os caminhos que seu filho está trilhando se não estiver próximo dele. Nossos filhos já têm amigos, mas necessitam de pais amorosos, que se importem e se comportem (comportamento = exemplo) como pais.

  Participe e permaneça envolvido com a vida do filhos, desde a infância até a idade adulta. Dê atenção ao cotidiano dele. Se você nunca se interessou em saber sobre os amigos que ele tem... Essa é a hora de começar. Saiba sobre os amigos, quem são, onde moram, se praticam esportes, se são bons alunos...
Pode ser desconcertante para um pai que não cultivou o habito de participar da vida do filho... de repente mostrar interesse e começar a fazer perguntas, pode ser constrangedor para os dois.
Se este for o caso procure não "forçar a barra".
Comece a (re)construir a relação progressivamente... pergunte/conheça os tipos de lazer/diversão que o familiar gosta, tente programar um dia para acompanhar seu filho em horários de lazer. Quando o filho comentar sobre algo relacionado à escola procure demonstrar (real) interesse, saiba quem são os outros alunos e participe de eventos cotidianos como ajuda-lo em alguma matéria da escola.
Nós adultos e pais vivemos em um mundo onde o tempo é precioso (tempo é dinheiro), a maioria dos pais (eu também) trabalham acima de doze horas por dia e apesar de ter pouco tempo para dedicar à família eu sei que na maioria das vezes, tudo que um filho quer é que seus pais se reúnam a mesa para jantar ao lado dele. Esta é uma boa hora para estreitar as relações com os filhos.
Não é fácil ter um filho toxicodependente. Muitos pais vivem na angústia de não saberem em que ponto da educação erraram e não conseguem lidar com o problema, que muitas vezes, começa na infância.
Quando alguém se interroga dos porquês da entrada na toxicodependência, surgem inevitavelmente por esta ordem ou outra, a busca do prazer imediato, a pressão por parte dos outros, a curiosidade, a acessibilidade, a vontade de se sentir mais velho (a) ou confiante, a revolta, a dificuldade de enfrentar a pressão, de conseguir lidar com maus tratos e abusos ou ainda como forma de melhorar a imagem.
Filho toxicodependente
Na origem dos problemas de infância que podem conduzir à droga, a atitude dos pais ou de quem exerça esse papel, é de primordial importância: Por isso há 13 atitudes básicas que devem ser tomadas em linha de conta.

Cuidados a ter na infância

- Os pais devem dar às crianças um sentimento de segurança.
- A criança foi feita para sentir que é amada e desejada.
- O medo e o castigo devem ser evitados tanto quanto possível.
- Deve ser dada à criança a possibilidade de aprender a ser independente e responsável.
- Os pais devem aparentar calma e serem tolerantes, não se mostrando chocados, quando as crianças derem evidência de instintos “selvagens” próprios da sua condição humana.
- Os pais devem ser tão firmes e consistentes quanto possível, de forma a evitar, na criança, a confusão e o aparecimento de atitudes contraditórias.
- É pouco prudente fazer com que uma criança se sinta inferior.
- É imprudente forçar uma criança para além das suas capacidades.
- Os sentimentos e os desejos da criança devem ser respeitados, mesmo se não estiverem exactamente de acordo com os desejos dos pais. Á criança deve ser permitida a satisfação dos seus desejos, dentro, claro está, dos limites do razoável.
- Todas as perguntas que as crianças façam devem ter uma resposta franca e honesta e sem ultrapassar a sua capacidade de compreensão.
- Os pais devem mostrar apreciação e interesse em relação às coisas que os seus filhos estejam a fazer, mesmo que pelos padrões deles, elas não sejam interessantes ou importantes.
- Mesmo que as crianças tenham dificuldades ou problemas, elas deverão sempre ser tratadas, como normais e saudáveis.
- É preferível educar os filhos com o objectivo do crescimento, desenvolvimento e do melhoramento, do que com o objectivo da perfeição.


O problema da droga pode assolar uma família, atingindo pessoas que amamos.
Para Elsa, (nome fictício) ex-toxicodependente, os pais devem:
- Não aceitar a “benignidade“ das drogas “leves”, ajudando-os a compreender que as mesmas frequentemente são causadoras da “ingressão” nas drogas “pesadas”.
- Não passarem a ser policias – o uso das drogas não se resolve com tensão e ansiedade.
- Não se envergonharem por terem um filho “drogado”. Devem falar com ele, pedir ajuda a pais na mesma situação e/ou a especialistas.
- Procurarem ajudar o filho em vez de lhe atirarem à cara as asneiras que anda a fazer, tomando consciência que tão cedo as asneiras não vão acabar.
- Aceitarem que, ainda que inconscientemente, são eles pais que sustentam o vício dos filhos, facilitando-lhes a vida.
- Não acusar, mesmo que seja esse o impulso que sentem, num momento de raiva e desespero.
- Darem um acompanhamento mais activo, paralelamente ao apoio prestado pelos técnicos.
Além das modificações visíveis em seu comportamento, muitos, quando estão
na idade escolar, apresentam rendimento abaixo da média, especialmente por causa
do absenteísmo às aulas, demonstrando também desinteresse pelos estudos,
chegando muitas vezes, a desistir da escola. Essa mudança gera também um
distanciamento de seus antigos amigos, especialmente dos que não são coniventes
com seu “vício”, dessa forma isolam-se, passando muito mais tempo sozinhos,
evitando estabelecer novas amizades que não partilhem do uso.

A Violência está próxima do primeiro eixo e se relaciona ao “viciado” também
como conseqüência, conforme as falas:

“A convivência com a família fica difícil e quando não tem dinheiro para
comprar droga começa a roubar e se prostituir”

“... arruína a vida dessas pessoas, leva à autodestruição, roubará e venderá
coisas de dentro de casa para comprar drogas, fica desorientado e perde
noção do tempo e das coisas” .

“ ... pessoa não consegue mais pensar em nada só nas drogas, e quando não
tem, faz qualquer coisa para conseguir, até mesmo matar.”
“As drogas podem levar as pessoas a roubar, bater, matar e ter alucinações”